terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Maddog: "sete anos sem software proprietário"

Em passagem pelo Brasil, Jon "maddog" Hall, diretor-executivo do Linux International, fala sobre sua passagem pela Campus Party, pirataria e, obviamente, software livre.

A história do vetereno Jon "maddog" Hall se confunde com a história da própria informática. Ele já passou por empresas de diferentes portes ligadas à computação, mas foi no mundo open source que ganhou destaque. Trabalha com Unix desde 1977 e com o Linux desde 1994. Também é diretor-executivo da Linux International, uma organização sem fins lucrativos mantida pelas empresas que trabalham com software livre.

“Posso dizer que eu não uso um único pedaço de software proprietário há pelos menos sete anos. Todos os programas do meu dia-a-dia, como pacotes de escritório, browser e multimídia, são código aberto”, afirma maddog.

Segundo ele, 80% dos software existentes no mundo hoje não estão publicados ou encaixotados. Eles estão em administração de sistemas, plataformas embarcadas e sistemas de manufatura. São programas desenvolvidos internamente ou por terceiros para determinadas empresas.

Cachorro louco, apelido carinhoso dado pelos alunos da universidade de Hartford State Technical College, onde era reitor da faculdade de informática, é conhecido pela sua desenvoltura em fazer apresentações que fascinam o público e que também têm espaço para dar uma alfinetada na Microsoft.

“A Microsoft afirma que, se contados os serviços e suporte envolvidos no sistema operacional, o Windows fica mais barato num prazo de cinco anos. Mas se considerado o custo total de propriedade, o Linux se mostra um sistema muito superior neste mesmo prazo”, diz o linuxista.

Pelas contas de maddog, cada PC perde cerca de uma hora por ano com problemas relacionados a programas proprietários, pois não podem ser aperfeiçoados de acordo com a necessidade das empresas. E faz uma conta capiciosa: “isso significa que cada PC perde 5 dólares por ano com instabilidades do software. Multiplicando isso por 1 bilhão de PCs, seriam 5 bilhões de dólares”, calcula.

Maddog também defendeu o combate à pirataria de software. Segundo ele, países como o Brasil, com alto índice tem programas piratas, têm mais dificuldade na adoção de software livre. Nas suas palavras, em tradução parcial, Maddog reproduz a pergunta de quem adota software ilegal: “por que usar um free software, se o software que eu uso já é free”. Para ele, medidas que favoreceriam, inclusive, o Windows, também seriam interessantes para fortelecer o uso do Linux em desktops.

O linuxista veio a São Paulo para a segunda edição da Campus Party, que ocorre a partir da semana que vem na cidade. Maddog será responsável por um desafio que deve começar na segunda-feira e terminar (19/01) e vai até quinta-feira (22/01). Os participantes terão três dias para desenvolver uma peça publicitária utilizando apenas programas de código aberto. Os melhores serão premiados ao final do evento.

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