sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Notícias sobre a crise

Após vários anos seguidos de razoável crescimento mundial, 2009 será o
ano do desemprego e não há muito que se possa fazer em relação a isso, além das medidas que já vem sendo tomadas por vários países para minimizar os efeitos da crise.


A cada semana que se passa, com as novas notícias, muitas pessoas têm a impressão de que a crise financeira internacional está piorando. Várias empresas estão passando por um profundo processo de reestruturação organizacional devido à redução dos lucros ou realização de prejuízos, além de vários pedidos de concordata. Uma das principais consequências é o aumento do desemprego, com impactos relevantes sobre o bem estar da população, ainda mais em um momento onde as chances de se encontrar um novo emprego se reduziram consideravelmente.
Um bom exemplo é a Samsung que anunciou recentemente a troca de 25 de seus executivos. Outro é o Citigroup que, após uma perda acumulada de US$ 18,7 bilhões em 2008, divulgou sua divisão em duas firmas distintas com o objetivo de melhorar a sua agilidade e responder melhor ao novo cenário internacional. Temos ainda o caso da Honda, que se retirou da F-1 e anunciou que vai suprimir 3.100 postos de trabalho temporários no Japão; da Renault, que apresentou seu plano de redução de empregos nas quatro fábricas da Espanha; da Sony Ericsson, que tem planos para novos cortes após registrar um prejuízo 346 milhões de dólares no último trimestre de 2008, entre muitos outros casos semelhantes.
A cada dia recebemos uma nova notícia de alguma grande empresa multinacional estabelecida em algum lugar do mundo que está enfrentando problemas financeiros e demitindo parte de seus trabalhadores. Apesar de certo atraso em relação às principais economias mundiais, estamos começando a sentir o mesmo efeito no Brasil: notícias de várias empresas nacionais ou multinacionais, pequenas ou grandes, enfrentando problemas financeiros, pedindo concordata ou passando por um processo de reestruturação, com a consequente demissão de funcionários.
Como exemplos temos a fabricante de autopeças Magneti Marelli que demitiu 480 funcionários em suas duas fábricas no ABC Paulista, o Grupo Santander Brasil, que dispensou cerca de 400 pessoas em seus centros administrativos, a ArcelorMittal Aços Longos (ex-Belgo Mineira), que suspendeu temporariamente contratos de trabalho dos 1.300 empregados da subsidiária Belgo Bekaert, maior produtora de arames das Américas; apenas para citar alguns. Teremos muitos outros casos semelhantes nos próximos meses.
Esse processo vai continuar não apenas no Brasil, mas ao redor do globo. O desemprego aumentará de forma substancial em 2009, com possível melhora a partir de meados de 2010. Após vários anos seguidos de razoável crescimento mundial, 2009 será o ano do desemprego e não há muito que se possa fazer em relação a isso, além das medidas que já vem sendo tomadas por vários países para minimizar os efeitos da crise. Isso significa que a situação econômica mundial está piorando? Não, pois estas são apenas as conseqüências esperadas de uma crise que se iniciou no mercado imobiliário norte-americano e tomou proporções não vistas há muito tempo. O primeiro efeito é a redução nas vendas e piora das expectativas para depois ocorrer às reestruturações das empresas e elevação do desemprego.
Depois da euforia sempre há uma ressaca. Como já visto em vários momentos da história, as economias crescem em ciclos, ou seja, com alternância entre períodos de elevado crescimento e recessões ou, em casos atípicos, depressões. As medidas de política econômica vêm sendo empregadas para que a atual recessão não vire uma depressão, ou seja, os governantes de vários países estão tomando as medidas adequadas e necessárias, mas não há mágicas. Assim, teremos que lidar parcialmente com as consequências da atual crise e tomar as medidas necessárias para que no próximo ciclo de crescimento econômico os riscos de uma depressão não sejam tão elevados.

 

 

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