quinta-feira, 12 de março de 2009

O sistema operacional vai para a web

Micro, servidor, smartphone... e nuvem. A mais recente adição à lista de plataformas computacionais começa a ser palco de competição feroz. A Microsoft, com o Windows Azure, e o Google, com o App Engine, são os nomes mais conhecidos nessa disputa. Além de oferecer aplicativos online prontos, as duas empresas criaram ferramentas para quem quer desenvolver os próprios programas na nuvem. Fora do circuito das grandes empresas, sistemas alternativos como o eyeOS oferecem soluções de código aberto que também permitem rodar e construir aplicativos — ainda que não sejam sistemas operacionais no sentido estrito dessa expressão. A onda atual da computação em nuvem teve seu impulso inicial mais importante com os serviços online da Amazon.com, que começaram a ser oferecidos em 2002. No início, a empresa basicamente vendia tempo de processamento em seus servidores. Depois, foi incorporando mais e mais serviços ao pacote. Sua plataforma Elastic Compute Cloud (EC2), que começou a operar em 2006, permite desenvolver aplicativos e hospedar sites. No ano passado, a EC2 saiu da fase beta e ganhou a opção de rodar Windows Server e SQL Server nela. Isso permite portar para a nuvem, sem grandes dificuldades, programas desenvolvidos originalmente para a plataforma da Microsoft. A Amazon.com não tem um software chamado de sistema operacional de nuvem. O que ela oferece é um conjunto amplo de ferramentas que gerenciam aplicativos, armazenamento de dados e recursos de hardware. Em seu conjunto, cumprem funções de um sistema operacional.

 

O Google chegou
Considerando toda a força que tem em serviços na web, o Google demorou para oferecer uma plataforma para desenvolvimento de aplicativos online. Ela veio na forma do Google App Engine, anunciado em abril de 2008. Por enquanto, o serviço, ainda em fase beta, é gratuito. Quem o utiliza conta com até 500 MB de armazenamento para seus aplicativos. O Google diz que a banda e o poder de processamento são suficientes para manter um site com 5 milhões de page views por mês. Em seu estágio atual, o App Engine tem mais restrições ao que pode rodar nele do que outras plataformas da nuvem. Aceita apenas programas desenvolvidos em Python, com armazenamento de dados no Datastore, variante do sistema de banco de dados BigTable, usado internamente pelo Google. A empresa diz que, no futuro, pretende oferecer versões pagas do serviço, presumivelmente com mais recursos.

No ano passado, o anúncio mais barulhento nessa área foi feito pela Microsoft. A empresa quer conquistar espaço na nuvem com o Windows Azure, sua plataforma para desenvolver e rodar aplicativos na web. A Microsoft conta com produtos conhecidos, como o servidor de bancos de dados SQL Server, que ganhou uma versão disponível como serviço online, o SQL Services. Também se apóia nas ferramentas de desenvolvimento da série Visual Studio. Um desenvolvedor já familiarizado com esses programas pode usá-los para criar aplicativos para a nuvem. A Microsoft oferece, reunidos sob a marca Live Services, uma série de serviços e blocos construtivos que podem ser usados nos aplicativos. Ainda em fase beta (Community Technology Preview), o serviço só aceita aplicativos construídos com o .NET Framework. Neste ano, deve ganhar suporte a outros tipos de aplicativos.

 

O Linux da nuvem
Dos sistemas operacionais alternativos da nova geração, o eyeOS sobressai como principal candidato a ser o Linux da nuvem. Esse projeto de software livre foi iniciado em 2005 pelo catalão Pau Garcia-Milà, então com 17 anos. Com o tempo, foi conquistando uma ampla comunidade de desenvolvedores, que já se espalha por nove países. Rodando sobre Apache e PHP, o eyeOS não é um sistema operacional de verdade, já que não interage diretamente com o hardware. Mas é uma plataforma para armazenar dados, desenvolver e rodar programas. O sistema vem com 15 aplicativos e 35 utilitários prontos. E qualquer interessado pode baixar um kit de ferramentas e criar os próprios programas.

Segundo Garcia-Milà, o eyeOS já teve meio milhão de downloads, sendo 40 mil no Brasil. “Temos uma comunidade grande o bastante para garantir a continuidade do sistema”, disse ele a INFO. “Isso vai nos permitir sobreviver à concorrência do Google e da Microsoft. Seremos a alternativa livre”, prevê. Garcia-Milà diz que o eyeOS vem sendo usado em escolas em vários países. Em algumas delas, os alunos interagem o tempo todo com o eyeOS, sem tomar conhecimento do sistema operacional que roda no micro. Isso explica a inclusão de um browser, item exótico num sistema ao qual o acesso já feito por meio de um navegador.

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