segunda-feira, 13 de abril de 2009

Banda larga via rede elétrica é segura?

Com as regras para prestação dos serviços de BPL (Broadband over Power Line) aprovadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Brasil pode ter em breve ofertas de internet que chegarão à casa dos consumidores pela rede elétrica. 

Em São Paulo, a AES Telecom, braço da AES Eletropaulo, já faz testes avançados com a tecnologia e pretende estrear ofertas comerciais em parceria com provedores de banda larga em pouco tempo. Outras companhias de energia elétrica como Copel e Cemig também experimentam com o BPL.

Mas o aval da agência pode não ser suficiente para tranqüilizar os usuários sobre os possíveis riscos da tecnologia. A principal preocupação é que a tecnologia possa interferir em freqüências de outras aplicações, como rádios amadoras e até instalações militares.

Eles não estão sozinhos. Nos Estados Unidos, a tecnologia enfrenta pressão da Associação de Rádios Amadoras, que processou a Federal Communications Commission (FCC) – a Anatel norte-americana – por ter liberado o BPL para uso no país sem prova suficiente de que a tecnologia não interferia em outras freqüências.

O site da associação traz estudos que falam sobre os perigos da banda larga via rede elétrica e trás até vídeos que mostram interferências causadas pela tecnologia em locais onde ela está sendo testada. O que os detratores do BPL alegam – e, em alguns casos, até provam – é que a as redes elétricas não foram feitas para isolar a radiação de radiofreqüência e que de fato em alguns casos a tecnologia de fato gera interferência.

Isso significa que estamos prestes a adotar uma tecnologia de alta periculosidade? Não necessariamente. Segundo Nicholas Maheiroudis, diretor de projetos de BPL da AES Telecom, os problemas de interferência realmente aconteciam no passado, mas a evolução dos equipamentos mitigou grande parte dos riscos.

“Hoje a tecnologia evoluiu e os equipamentos são capazes de anular as interferências”, diz o executivo. Segundo Maheiroudis, todos os aparelhos usados no Brasil terão que ser homologados e certificados pela Anatel, o que deve eliminar os riscos.

Além das interferências externas do BPL, a companhia também está trabalhando para minimizar os ruídos internos causados por eletrodomésticos e outros na banda larga via rede elétrica.

Secadores de cabelo, liquidificadores e até luminárias podem interferir no sinal do BPL. Neste caso, o resultado pode ser uma degradação na qualidade do sinal de internet. “O BPL não afeta o microondas, mas uma luminária não-padronizada pode derrubar o BPL”, explica Maheiroudis.

Segundo o diretor, menos de 3% das casas que participam dos testes feitos pela AES Telecom apresentam problemas de interferência. Para mitigar o problema, a empresa está trabalhando com fornecedores nacionais para produzir filtros e nas próximas gerações, os próprios modens virão com chips preparados para bloquear os ruídos, de acordo com Maheiroudis.

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