terça-feira, 28 de julho de 2009

O WOLED tem a luz

LEDs orgânicos podem produzir iluminação mais eficiente e barata.

Na procura de fontes baratas e eficientes de luz branca, os diodos emissores de luz (LEDs) há muito são considerados a alternativa mais promissora. Em breve, uma nova geração de LEDs orgânicos brancos poderá iluminar lares, escritórios e telas de computador. Os LEDs são a solução mais indicada em inúmeros casos, porque convertem energia elétrica em fótons de forma extremamente efi caz. Enquanto as lâmpadas incandescentes transformam apenas 5% da energia que recebem em luz e as fluorescentes conseguem aproveitar 20%, os LEDs chegam a 30% ou mais.

O problema é que os LEDs convencionais produzem luz somente em comprimentos de onda específicos. Por isso, seus fabricantes utilizam dois truques para gerar luz branca. Um deles é usar vários LEDs, cada um com uma cor primária. Quando combinadas, essas cores provocam a sensação de luz branca aos olhos humanos. A outra técnica é envolver um LED azul com fosfato ou químicos fluorescentes, que absorvem uma parte da luz azulada e a emitem em tom âmbar. Nós também enxergamos essa combinação como luz branca.

Pigmentos que brilham
Esses processos são relativamente caros. Porém, uma opção mais barata está surgindo do desenvolvimento de pigmentos orgânicos que emitem fótons azulados e em tons de âmbar. Eles podem ser combinados na camada emissora de luz do LED. O resultado é um LED orgânico que produz luz branca diretamente, conhecido como WOLED. Entretanto, os WOLEDs ainda não saíram dos laboratórios. Altas correntes elétricas tendem a estragar os pigmentos orgânicos nos quais eles são envolvidos. Isso torna sua vida útil drasticamente menor que a dos LEDs inorgânicos, feitos de materiais como arsenieto de gálio e índio. Uma solução para esse problema seria descobrir como produzir uma claridade razoável com a mais baixa corrente elétrica possível.

Dois em um
Um grupo do Instituto Changchun de Química Aplicada, da Academia Chinesa de Ciência, liderado por Dongge Ma, apresentou uma maneira simples de fazer isso: sobrepor duas camadas emissoras de luz branca num único dispositivo, de modo que eles funcionem em série. Um artigo recente no Journal of Applied Physics explica a descoberta. "A estrutura sobreposta fornece mais claridade com correntes mais baixas", explica Paul Burrows, engenheiro elétrico da Reata Research, consultoria em ciência e tecnologia de Kennewick, no estado americano de Washington.

Mas a invenção tem um provável inconveniente: os diodos em série exigem o dobro da voltagem para funcionar, o que pode prejudicar a efi ciência do dispositivo. Até agora, entretanto, não se sabe se, de fato, isso acontece — algo que deve ser esclarecido por meio de testes adicionais. Colin Humphreys, cientista de materiais da Universidade de Cambridge, alerta para o excesso de otimismo num estágio ainda primário de desenvolvimento. "Há muita expectativa em relação aos WOLEDs", diz, mas ainda existem muitos desafios a ser superados antes de esses dispositivos chegarem ao mercado. "Eles podem tanto conquistar um amplo espaço como ser um produto segmentado. O futuro dos WOLEDs, por enquanto, é incerto", afi rma Humphreys.

 

Nenhum comentário: